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A Colheita da Cortiça

O processo para extrair a cortiça é relativamente simples, e tem o nome de “despela”. Esta operação consiste em despojar o sobreiro da sua casca corticeira natural cortiça virgem, favorecendo assim a produção de um segundo invólucro suberoso, a cortiça segundeira. Na altura da remoção da cortiça masculina, as árvores devem ter pelo menos entre os 70 e os 80 centímetros de circunferência, e uma idade de 25 anos nas zonas florestais mais favoráveis. Com a ajuda de um simples machado, os corticeiros portugueses realizam com rapidez excepcional um corte perfeito, difícil de realizar se utilizassem utensílios mais delicados ou complicados durante o corte.

A cortiça é extraída a cada 9 anos em Portugal (cada 10-12 anos na França), sempre durante o Verão, melhor período para a colheita. Durante as fases mais intensas do crescimento, que normalmente acontecem entre Junho e Julho, a evolução das células é rápida e os estratos que se formam são muito frágeis e subtis. Esta propriedade é utilizada para despedaçar as membranas das células de formação recente. Segundo os portugueses, isto é o momento em que o sobreiro “começa a dar”. O estrato que ainda não está descoberto conserva a sua capacidade de regenerar um estrato de cortiça novo. A operação tem de ser efectuada com atenção: se houverem alguns cortes, poder-se-iam produzir infecções na árvore.

Portanto avança-se a uma primeira remoção, e tira-se a cortiça masculina, a qual, dura, pouco elástica, irregular e compacta, não será utilizada para fabrico das rolhas. Somente à terceira remoção, quando a árvore tem mais de 40 anos, conseguir-se-á ter uma cortiça de boa qualidade.

Em seguida, as pranchas removidas são secas e sucessivamente fervidas em pilhas. Quando saem da água são amaciadas com o macete, batidas com maquinarias particulares e classificadas segundo o seu valor. Qualidades como a espessura, a elasticidade, a finura e a cor adquirem significado a partir deste momento.

Nos países produtores, o sobreiro está protegido por muitas leis que garantem o seu bem-estar e a sua produção. As mais importantes restringem a remoção da cortiça das árvores jovens, e das demasiado antigas e a extracção da cortiça em intervalos mínimos de 9 anos.